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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Liga das escolas de Samba, emite nota oficial, pedindo mudanças e respeito com o carnaval da passarela do samba da cidade.



 NOTA OFICIAL – LIESMG 

A Liga Independente das Escolas de Samba de Minas Gerais – LIESMG, entidade representativa das Escolas de Samba Unidos dos Guaranis, Estrela do Vale, Triunfo Barroco e Mocidade Independente da Pampulha que compõem o desfile de Passarela do Carnaval de Belo Horizonte, vem a público expressar, de forma contundente, sua indignação, denúncia e profundo alerta sobre a atual condução do planejamento do Carnaval 2026 por parte da Belotur. 

1. Sete meses de reuniões, nenhuma ação efetiva. 

Ao longo dos últimos sete meses, representantes da LIESMG e das Escolas de Samba têm participado de reuniões com a Belotur buscando construir, conjuntamente, condições dignas para a realização do Carnaval de Passarela. Entretanto, nenhuma medida concreta foi tomada pela empresa pública. 

Mesmo a aproximadamente 80 dias do início da festa, não há informação oficial, cronograma, definição de data para liberação da subvenção, diretrizes operacionais, nem garantias mínimas para o desenvolvimento dos projetos artísticos. 

Essa prolongada omissão inviabiliza o trabalho de centenas de profissionais e prejudica diretamente toda a cadeia produtiva do samba:

 • carnavalescos 

• aderecistas 

• costureiras

 • ferreiros

 • ritmistas

 • intérpretes 

• comunidades inteiras que dependem da preparação anual do desfile. 

2. O sucateamento atinge, especialmente, uma manifestação protagonizada por pessoas pretas e periféricas.

 É impossível ignorar que o Carnaval de Passarela é uma expressão profundamente enraizada nas culturas preta, periférica e afro-mineira, construída a partir de conhecimentos tradicionais, organização comunitária e patrimônio imaterial. 

A postura adotada pela Belotur — marcada por indefinição, falta de transparência e ausência de responsabilidade institucional — configura um processo de sucateamento que fragiliza justamente o segmento carnavalesco com menor acesso a recursos privados e maior dependência das políticas públicas. Esse enfraquecimento não é acidental: ele aprofunda desigualdades, reduz a potência das Escolas de Samba na cidade e compromete uma manifestação que historicamente sofre invisibilização, apesar de sua importância cultural, social e turística de Base comunitária. 

3. A Belotur demonstra incapacidade estrutural para gerir o Carnaval de Passarela. 

O modelo atual de governança — centralizado na Belotur — mostra-se insuficiente, pouco técnico e desconectado das demandas reais da produção do desfile. Faltam: • planejamento anual; • equipe especializada em artes carnavalescas; • diálogo efetivo; • definição de políticas de fomento; • compreensão da dimensão cultural do samba. A repetição anual das mesmas falhas evidencia que não se trata de um erro pontual, mas de um problema estrutural de gestão. 

4. É necessária a transferência imediata da gestão do Carnaval de Passarela para a Secretaria Municipal de Cultura. 

A LIESMG defende que o desfile das Escolas de Samba seja institucionalmente realocado para a Secretaria Municipal de Cultura, órgão com missão, estrutura e diretrizes mais compatíveis com:

• políticas de patrimônio cultural; 

• formação artística; 

• financiamento à cultura; 

• respeito às manifestações tradicionais; 

• articulação com o Sistema Municipal de Cultura.

 Essa mudança permitiria estabelecer:

 • planejamento plurianual,

 • editais específicos,

 • calendário permanente, 

• política de estado, e não apenas de governo.

 O carnaval de passarela precisa ser tratado no âmbito que lhe corresponde: a política cultural, e não apenas a política turística e de eventos.

 5. Exigência imediata de respostas e providências. 

A LIESMG reitera que é inaceitável que, tão próximo ao Carnaval, não exista definição sobre a subvenção carnavalesca, recurso essencial para o desenvolvimento das atividades, como reconhecido no documento oficial. Reafirmamos que: Exigimos:

 1. Posicionamento público imediato da Belotur sobre a liberação da subvenção. 

2. Entrega de um cronograma oficial, detalhado e vinculante.

 3. Garantia de infraestrutura mínima para a realização do desfile. 

4. Abertura de um processo de transição da gestão do Carnaval de Passarela para a Secretaria Municipal de Cultura.

 6. Compromisso da LIESMG Permaneceremos vigilantes, atuantes e firmes na defesa: 

• das escolas de samba, 

• dos profissionais do samba, 

• das comunidades periféricas,

 • da tradição afro-mineira, 

• e do patrimônio cultural representado pelo Carnaval de Passarela de Belo Horizonte. 

A cultura das escolas de samba não será silenciada. A LIESMG não aceitará a continuidade desse processo de enfraquecimento institucional.

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